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O SUBSTITUTO

01/11/2022

Imagem O SUBSTITUTO

Apesar de minha atuação em treinamentos no mundo corporativo, por anos a fio, ainda não tinha tido a experiência de entrar para ensinar numa sala de aula composta por jovens, frutos da geração milenária, que já nasceram informatizados, com valores totalmente distintos dos da minha geração, de meus pais e avós.

Lá fui eu, bem no início do mês de maio, em pleno outono com ventos a esvoaçar cabelos e a levantar papéis caídos pelo pátio da escola.  Foi notório os olhares de desprezo, para comigo, ao entrar na sala de aula como professor substituto.

O pouco caso comigo, o desprezo pairava no ar. Entrei de cara e coragem, mesmo sem ter preparado absolutamente nada, literalmente de improviso. Até mesmo por quê o professor titular, meu amigo, me alertou: “Eles são rebeldes, não adianta preparar nada, por quê vai ter que construir na hora, de acordo com o comportamento do grupo”.

Entrei na sala de cabeça erguida. Me posicionei na frente e, até mesmo antes de cumprimentar o grupo, um rapaz falou algo em tom de “deboche” e todos riram. Nesse momento, seguindo o conselho do meu amigo, eu sabia que deveria construir encima do deboche e, esse garoto seria o “escolhido” para isso!

Pigarreei duas vezes: Ham, ham...olhando fixamente para o jovem e perguntei:

- “Quem é você?” apontando-o com o dedo em riste.

Fez um silêncio ensurdecedor na sala, coisa fora do comum nos dias de hoje, e os alunos se entreolharam com cara de curiosos e intrigados, fixando em seguida o colega de classe e eu, o “substituto”!

- “Sou o Luiz, professor. Porquê?” respondeu o jovem com um sorriso sarcástico na cara.

- “Por nada, respondi eu”. Mas, eu ainda não sei quem é você!  Por quê, pelo que percebi, esse é o seu nome, não é você! E, até onde eu posso raciocinar, nem foi você quem o escolheu, mas sim, muito provavelmente, foi escolhido pelo seus pais. A pergunta permanece: - “Quem é você?”

Rindo um pouco e mais relaxado ele disse: - “Sou loiro e jogo futebol”.

- “Não, essas são as suas características físicas e seus hobbies” eu lhe disse.  Afinal, se eu trouxer aqui, outro garoto chamado Luiz, loiro e que joga futebol, ele seria você?

- “Não professor, não seria eu”. Respondeu o jovem, já um tanto desconfiado de até onde essa conversa poderia levar!

- “Perfeito”, falei para ele. Então, “Quem é você?”, insisti.

O rapaz ficou sério, olhou de resvalo para os colegas, que continuavam em silêncio, pensou alguns instantes e respondeu:

- “Não sei professor! Quem sou eu?”

Levantei os olhos, olhei para a turma e voltando a olhar para ele, frangindo a testa, eu lhe disse: - “Só você poderá saber”. – “mas comece a pensar quem você realmente é, pois com certeza você não fará melhor escolha em sua vida, a partir de agora”

E seja bem vindo, você e todos os seus colegas, à filosofia dos porquês!

 

Assim, foi como iniciei no mundo das palestras, sempre estimulando às pessoas a pararem para pensar sobre as perguntas:

Quem sou eu?

De onde eu vim?

Para onde vou?

Com quem vou?

Por quê vou?

As eternas perguntas existenciais.

Porém, antes de tudo, para leva-los a responder a essas clássicas perguntas da existência humana, eu digo que é preciso: Superar a ideia de sorte, azar e destino – e, introduzir uma ideia de decisão, estratégia e trabalho.

Sartre, o filósofo que morreu em 1980, disse: “não importa o que a vida fez com você, (virgula) - importa é o que você fez com aquilo que a vida fez de você”.

Mestre Chico, do livro O domador de tempestades, em 2019, disse: “Não importa de onde você vem, (vírgula) - desde que saiba como e para onde ir”.

Não importa de onde venho e nem o que a vida fez comigo. Eu não controlo tudo, não sou o dono do universo, não controlo a morte que virá – mas, entre o nascimento e a morte eu posso controlar muita coisa.

Toda crença em sorte, destino e dom – é uma crença que tenta disfarçar o que de fato faz a diferença – que é o esforço contínuo.

O menino Chico, tinha uma sorte imensa, quando as pessoas falam que ele tinha sorte! Quando na verdade ele aos oito anos de idade, levantava às seis horas da manhã e as oito horas, já estava em frete ao bar, esperando abrir para iniciar a trabalhar.

O menino Chico, passou ter mais sorte ainda, quando aos 14 anos passou a levantar as cinco horas da madrugada para tomar o ônibus, depois um bonde e andar um quilômetro a pé, para estudar na escola Senai e, depois voltar as seis da tarde, indo direto para a escola secundária, chegando de volta em casa as onze e meia da noite e jantar antes de dormir!

Essa é uma sorte diária – basta passar a dormir um pouco mais, que essa sorte logo acabaria.

 

Por isso, eu acredito, inspirado no menino Chico, que se tenha condições de interferir na própria vida.

Eu acredito que quando eu faço a pergunta: Para onde eu vou? Se possa dar uma resposta objetiva e prática: O quê eu estou fazendo da minha vida? É realmente esta é a vida que eu quero levar? Com as pessoas com quem quero?

Pense comigo:

- A vida é muito curta, para que se perca tempo numa existência medíocre.

- A vida é muito curta para que eu tenha uma família que eu não ame.

- Para que eu tenha um emprego que eu não goste.

- Para que eu tenha um trabalho que eu não me dedique.

Siga o conselho de Sócrates que fundou a filosofia Ocidental: Conhece-te a ti mesmo. Conhecimento de si. A consciência é a chave da transformação.

Esforce-se para dar respostas claras, objetivas para as perguntas existenciais que eu fiz no início:

- “O que eu quero... onde isso vai me levar... eu vou ser feliz?”

 

Nós somos um ser em Renovação – Nós temos que nos renovar e superar até o fim – Esse é o sentido da vida: Renovação e Superação constante!

Pergunte-se: Qual é a parte que me falta? 

Eu posso ser muito bom em levantar cedo, mas será que eu sou bom em resiliência, em superar as adversidades no dia a dia?

Eu o sou muito bom no meu trabalho, mas será que eu sou bom na minha vida pessoal e familiar?

Por que será que muitas pessoas correm de um lado ao outro para cumprir com seus trabalhos, não sobrando tempo para cuidar de seus sonhos, da saúde e da família e depois reclamam que estão estressadas, ansiosas e infelizes?

Não estarão elas colhendo os frutos daquilo que elas mesmas vêm plantando ao longo de suas vidas?

A gente só colhe aquilo que planta, não é mesmo? Ou será diferente?

Não é questão de sorte, azar e nem destino! É o fruto daquilo que você plantou ao longo dos anos.

Siga o conselho de um dos maiores líderes que já tivemos, O grande Mahatma Gandhi, líder da índia: Seja você a mudanças que deseja ver no mundo.

Esqueça o passado, esqueça tudo que você passou até aqui. Reconstrua-se. Reinvente-se. Supere-se e descubra como e onde quer ir.

Você, sua vida, será o resultado daquilo que melhor você fizer dela...

Então, seja feliz, como eu estou sendo, aqui e agora!