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Crise global da força de trabalho em descompasso com habilidades do futuro

06/12/2019

Imagem Crise global da força de trabalho em descompasso com habilidades do futuro

Em 2030 enfrentaremos uma crise global da força de trabalho em quase todos os países, incluindo Europa, Brasil, Rússia e Coréia do Sul. Prever a oferta e a demanda por diferentes habilidades e repensar estratégias de gestão de talentos serão desafios gigantes para as empresas funcionarem como imãs de pessoas altamente qualificadas.

 

Transformações impostas ao mercado de trabalho pela globalização, informatização e automatização, vem provocando profundas mudanças na relação emprego-trabalho. As organizações, por sua vez, passam por restruturações, fusões e terceirizações para se tornarem cada vez mais competitivas, o que muda radicalmente a demanda por rever os perfis de sua força de trabalho e preparação de seus profissionais de forma constante. No Brasil, desde o início da década, vem aumentando a disputa por mão de obra qualificada. Muitas empresas estão sofrendo para inovar e alcançar suas metas por falta de profissionais qualificados em postos-chave.

Estudos recentes de Rainer Strack - The Surprising Workforce Crisis of 2030 - corroboram o quadro crítico entre oferta e demanda da força de trabalho para 2030 em quase todos os países.

A Europa será afetada de forma severa. A Alemanha enfrentará um gap de 8 milhões em sua força de trabalho. O déficit previsto para o Brasil é de 40 milhões de pessoas, principalmente por questões demográficas e falta de investimento em formação. O envelhecimento da população global está prestes a se tornar uma das transformações sociais mais significativas do século XXI, com implicações em quase todos os setores da sociedade. Em 2030, o número de pessoas acima de 60 anos ou mais chegará a 1,4 bilhão. O Brasil, segundo a ONU, ocupará o sexto lugar no mundo entre os países com o maior número de pessoas idosas. Isso significa grandes desafios em educação e qualificação, para governos e empresas que deverão mudar, inclusive sua cultura de negócios para atrair as novas gerações, mulheres e aposentados. A ideia de que se recebe educação quando jovem para depois trabalhar durante quarenta ou cinquenta anos - acabou. Todos nós teremos que continuar nos adaptando e adquirindo novas habilidades. 

 

Paralelamente ao índice crescente de desemprego, escolas técnicas e faculdades públicas e privadas, continuam formando exércitos de profissionais a cada ano, e o que se verifica é que, cada vez mais, o mercado brasileiro está carente de profissionais bem preparados. A escassez da força de trabalho especializada pode ser determinada por quatro fatores principais, dentre eles, os processos de automação que passam a demandar trabalhadores com perfis distintos aos tradicionais do mercado; a brecha existente entre a nova demanda das empresas e a tradicional grade de ensino das escolas; diferentes valores das gerações que estão chegando e a mobilidade de talentos com a demanda global.

 

O panorama exige que empresas despertem agora para a gestão do potencial humano, a exemplo de algumas grandes corporações, recorrendo a diferentes fatores de atração e da educação corporativa como condição essencial de retenção de talentos e engajamento. Ainda, segundo a pesquisa de Rainer Strack, os novos fatores de atração estão centrados na paixão pelo trabalho que se faz, no bom relacionamento com colegas, equilíbrio entre trabalho e vida, bom relacionamento com superior imediato e remuneração atrativa.

 

Na próxima década, o poder de escolha será transferido das empresas para o indivíduo. O profissional passará a ser mais exigente, podendo escolher a oferta que melhor atenda aos seus valores e realização, optando pela empresa em que se sentirá melhor em trabalhar, considerando o tipo de cultura, desenvolvimento, qualidade de participação e, acima de tudo, reconhecimento.

 

 

Valter Assis

Especialista em gestão de pessoas, Líder Treinador, Mentor e Escritor. Autor dos livros RH Direto ao Ponto e O Domador de Tempestades.

valterassis@nucleozoi.com

www.nucleozoi.com